domingo, 13 de junho de 2010

As festas que meu pai me preparava

Quando eu era criança, minha mãe preparava minhas festinhas de aniversário. Encomendava bolo, docinhos, fazia brigadeiro com a empregada. Tudo daquele jeito bem-feitinho, como é próprio de mães. Até que ela foi morar no Rio, para fazer doutorado, deixando-nos em Goiânia. Então meu pai passou a ser o responsável pelas minhas festas. Quando me lembro delas, desses anos e dos aniversários passados com meu pai, acho graça e me emociono. Porque os grandes gestos de amor dele vinham revestidos de uma falta de jeito que me comove. Ele comprava um bolo retangular que vinha pronto, no Carrefour. Os brigadeiros, ele também comprava desses prontos, de supermercado, brigadeiros gigantes, que ele tratava de dividir em bolinhas menores. Mas comprava os melhores balões, de bichinhos diferentes que sempre eram disputados ao final da festa.

Eu não esqueço um desses aniversários, em que, quando os convidados foram embora, entramos eu e minha irmã no quarto e encontramos dois jogos embaixo da estante. Um tinha a caixa azul e chamava-se "Pássaro na mão", o outro, da caixa vermelha, era um de monstros. Ficamos intrigadas, pois não sabíamos quem tinha levado aqueles presentes. Cogitamos alguns nomes, alguns amigos. Até que resolvemos perguntar ao meu pai, que confirmou que os presentes foram deixados por ele. Pode parecer trivial, mas, para quem conhece a dificuldade que meu pai tem para comprar presentes e, mais ainda, fazer surpresas, aquele foi um gesto de indescritível doçura. Um desses momentos que ficam permanentemente inscritos na memória, como um dos meus tesouros.

6 comentários:

Mr. G disse...

q meigo!!!! fofo seu pai e seu carinho! bjs!

Maria Cristina disse...

Tá com saudade de casa, né?! Quando vc vem?

bjos

Anônimo disse...

Pai e mãe são as melhores coisas do mundo.

Ana Carolina

Ivan Bueno disse...

Lian,
Que lembrança gostosa. Esse gesto é bem a cara do Tai, mesmo. Pequenos gestos que demonstram tanto! Isto é muito bom. Não sei da dificuldade dele em comprar presentes, mas sei da introspecção. Casam bem! O admiro muito.
Beijo grande.

Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com

João Marcos disse...

Lian, comecei a te seguir hoje.Recomendação do Daniel.Grata surpresa,você falou sobre pai. E do jeito que eu sou.Tornei-me seu fã.Grande abraço!!!!

Daniel Carneiro disse...

Tenho um história parecida, entre mim e meu pai. Era que me acordava todos os dias com um abraço. Era algo corriqueiro e banal para mim. Até descobrir que esse sempre fora seu desejo: meu avô o costumava acordar com puxões de orelha.
bjo lian. Saudades!!!!