sábado, 20 de setembro de 2008

Sofisma


Esses dias satisfiz um grande prazer que tenho: debater. A professora Esmeralda pediu que propuséssemos alguns temas e votássemos nos mais interessantes, excluindo aqueles que eram menos votados. Acabaram sobrando dois temas: drogas e adoção por homossexuais. Fiquei decepcionada, pois nenhum desses assuntos me despertava, a princípio, vontade de discutir. Fiquei no grupo a favor da adoção, mas, pra meu desespero, ela ainda resolve inverter nossos posicionamentos. Ou seja, acabei tendo que defender a visão contrária à adoção de crianças por casais homossexuais. Fiquei meio travada no início, pensando que não teria argumentos, senão repetir aqueles discursos que estamos cansados de ouvir, mas que não colam. Acabei entrando no debate contra-argumentando o outro grupo e as coisas acabaram fluindo bem. É verdade que, pra cada argumento meu, eu pensava em mil contra-argumentos, mas falava com convicção aqueles monte de baboseiras em que, no fundo, eu não conseguiria acreditar. Por incrível que pareça, nosso grupo ainda se saiu o vencedor. Fiquei me sentindo a verdadeira sofista.

Aí quem me conhece bem vai se perguntar: "Ué, mas a Lian não acredita na diferença entre filosofia e sofisma!" É verdade. Explico-me: Considerando (e eu considero) que não há um olhar absoluto sobre o mundo e que não há uma verdade que transcenda os jogos de linguagem, então a verdade que os filósofos ( socráticos e derivados) dizem procurar não existe. Se essa verdade não existe, morre o fundamento de toda a diferenciação entre o filósofo e o sofista, o que faz com que filosofia e sofisma sejam a mesmíssima coisa. Voltando à história do debate, vocês se perguntarão por que, então, eu afirmei ter me sentido uma sofista.

Bem, existe uma verdade, que está longe de ser uma verdade absoluta, mas que é nossa verdade. São as coisas em que acreditamos, o nosso mundo possível, nosso jogo de linguagem particular. E, ao defender uma posição antagônica à que tenho, tive que mobilizar minha capacidade argumentativa em prol de algo contrário àquela verdade do meu mundo. Não vou dizer que fiquei com peso na consciência ou que me senti suja. Longe de mim. Na realidade, me diverti muito entrando nesse outro jogo. Senti-me como nas aulas de Lógica, em que brincava com algo que, pelo menos para mim, não tinha a mínima obrigação de dizer a respeito do mundo ou de revelar essências, mas que estava lá, com suas regras e suas peças. Mas não vamos entrar em mais um jogo de linguagem, não por hoje.

4 comentários:

Jéssica disse...

Oi Lian.
De nada, pela inspiração.
ainda não consigo entender, essas coisas de facil e dificil. De repente seu futuro texto me ajude, pois vc com certeza tem mais experiencia do q eu.
Obrigada pelo comentario.
bjinhus

Rodrigo Alves disse...

Você sentiu por um dia o que é ser advogada.

Maria Cristina disse...

coitado do grupo oposto, kkkk

Daniel disse...

lian, q saudade!!!!!
nel