quinta-feira, 3 de julho de 2008

3 de julho

Eu devia ter uns cinco anos de idade, não sei com precisão. Estávamos no carro, meu pai dirigindo, eu, minha irmã e outra amiguinha no banco de trás. O nome dela era Nádia, e uma das poucas coisas que eu sabia sobre ela era que ela não tinha pai. Não era preciso saber muita coisa, afinal, na infância, basta o fato de a outra pessoa também ser criança para se tornar sua amiga. Ela frequentava nossa casa e brincávamos. Quer dizer, na maioria das vezes, ela e minha irmã brincavam de fugir de mim, como se faz com as caçulas. Mas voltando àquele dia no carro...

Eu, levianamente, falei cantando: "A Nádia não tem paaai!", ao que meu pai imediatamente me repreendeu. Com toda razão, é claro. O que ninguém soube eram as minhas razões para falar aquilo. Eu não tinha a mínima intenção de magoar a outra garota e, na minha pouca idade, nem pensei que aquilo aconteceria. Na verdade aquela provocação não tinha nada a ver com a menina. Mas, quando eu disse que ela não tinha pai, o que eu queria era, indiretamente, fazer uma declaração de amor ao meu pai. Queria que ele percebesse o quanto eu me orgulhava de tê-lo em minha vida e o quanto eu o amava.

Passaram-se muitos anos e aprendi a me expressar um pouco melhor, embora ainda possa magoar pessoas sem querer. Mas hoje, que sei falar com um pouco mais de clareza, e que é aniversário do meu pai, aproveito para dizer: Pai, tenho o maior orgulho de ser sua filha. Amo você incondicionalmente.

Um comentário:

Sem Nome disse...

Parabéns, bem atrasado eu sei, ao seu pai.Principalmente pela filha bonita que fez.Hehehehe.
São sempre legais as coisas que tu escreve, e principalmente a forma como escreve.Eu nem ía comentar nesse texto, mas caí na falha daquele ditado 'O sábio sempre tem algo a dizer.O tolo sempre tem que dizer algo'.Não me considero sábio.
Beijão Lian,tens que arrumar tempo pra postar com mais frequência!!