quinta-feira, 25 de março de 2010

Por inteiro


Eu não quero nada pela metade.
Eu não quero receber presentes sem cartão,carta, palavra ou sinal de que foi algo pensado, elaborado e dado com coração. Eu não quero o embrulho da loja. Não quero aproximações se não houver interesse genuíno. Não quero amizades pequenas. Não quero e-mails que não sejam direcionados exclusivamente para mim. Não quero mensagens genéricas de aniversário por Orkut. Não quero me casar se não for para sempre. Não quero meias-palavras, não quero meias verdades. Não quero ler o livro até a metade. Não quero conversas fáticas. Não quero fazer o social. Não
quero abraços sem ternura. Não quero chuva sem frescor.
Eu até como maxi goiabinha no avião. Eu até acho graça na falta de comunicação. Eu até me distraio com simulacros de amores. Eu posso ser cordial com aproximações de interesse duvidoso. Eu digo que adorei as flores. Eu sou condescendente com as mensagens secas de acordo com o protocolo. Eu faço vista-grossa para um punhado de coisas. Eu me esforço pra prestar atenção na conversa desinteressante. Eu finjo que acredito. Quando o mar está agitado, eu tomo banho de chuveiro.
Eu até margeio o que me é dado pela metade. Mas só mergulho no que me é dado por inteiro.

5 comentários:

Mr. G disse...

isso lianzinho!! foi lindo!! e faço minhas as suas palavras!!!

bjos! parabéns!

Julia Lemos disse...

essa é a definição de Lian. Esse texto devia entrar no dicionário assim: "Lian: pessa que..." e tudo o que vc disse. Acho que precisamos conversar! sinto alguma coisa no ar! bjos!!

Maria Cristina disse...

Intensa... acho que tenho que aprender muita coisa com você, ainda deixo muitos livros pela metade... saudadeeee corpo gêmeo!

Ivan Bueno disse...

Oi, Lian.

Interessante te encontrar absolutamente por acaso, navegando por blogs literários, passando pelo "Alice in Wonderland" vi lá você.

Sou o Ivan, irmão da Vânia Bueno, colega de trabalho e amiga do seu pai (aliás descobri o blog dele, também, e já sou seguidor).

Comecei a ler o seu agora e gostei muito do texto como um todo. A fluência das palavras é muito boa, o tema, a intensidade, as imagens e metáforas. Gostei muito, mas sublinho o final do texto, onde você diz "Eu até margeio o que me é dado pela metade. Mas só mergulho no que me é dado por inteiro." Bela frase, belo texto.

Vou lendo mais, vou seguindo. Fica o convite pra conhecer meu blog.

Beijo grande,

Ivan Bueno
blog: Empirismo Vernacular
www.eng-ivanbueno.blogspot.com

Alice disse...

...justamente porque navegar é preciso. Viver, não.