sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Olha só...


Essas são as pantufas que me foram predestinadas pela "sorte do dia" do orkut!

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Mais coisas da vida e da morte

Lembrei de outro ocorrido, que ficou fora do meu texto: minha cachorrinha dos Estados Unidos. Eram duas, a Brandy e a Mackenzie. A primeira parecia uma cocker spaniel, mas era vira-lata. A segunda era uma vira-lata pequenininha, com cara de vira-lata mesmo. Pois ela, a Mackenzie, pegou parvovirose e ficou adoentada. Ficava suada, fraquinha e vomitava. Para que ela não subisse (e vomitasse) nas camas, a prendíamos na área na hora de dormir. Era colocada uma tábua para obstruir a passagem. Não é que no dia em que ela morreu, ela amanheceu na minha cama? Havia dado um jeito de pular aquela tábua, grande demais para ela, mesmo estando fraquinha. Não queria morrer sozinha. Apareceu na minha cama, dormindo a meu lado. A Brandy, a outra cachorra que sobrou, entrou em depressão. Ia todas as tardes ao quintal e ficava parada exatamente no ponto onde a pequenininha fora enterrada.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Coisas da vida e da morte


Às vezes fico intrigada com a morte. Não o depois, mas o logo antes. Ou melhor, fico intrigada com a vida no quase depois. Aquele último momento e que, portanto, demanda tudo de si, pois já não há disfarces, não há negociações. O que se sente quando se quase morre? O que se quer? Talvez naquele momento se revele o mais verdadeiro de alguém. Já dizia Janis Joplin, não sei se em composição própria ou não, que “liberdade é apenas não ter nada a perder”. Então o estar para morrer é ser livre.

Até hoje tive duas experiências que me trouxeram tais reflexões. Nenhuma com pessoas, ainda bem. Mas quase. Quase pessoas. Um cachorro e um passarinho. O cachorro ficou comigo por dezesseis anos. O passarinho, por um dia. E a relação que tive com ambos foi de amor.

Comecei a pensar nisso por causa do Toquinho, meu cachorro. Eu e minha irmã o ganhamos na infância, e ele foi quase um irmão. Passou por tudo ao nosso lado. Nossa infância, entrada na e saída da adolescência. Nós passamos por tudo com ele. De bebê a velhinho. Atropelamento, parvovirose, surdez, cegueira, problema no coração. E era forte porque amava a vida. Guloso até o fim. Às vezes tínhamos vontade de alimentá-lo sem parar, para ver o quanto ele agüentaria. Nunca tivemos coragem, pois agüentava. Um dia meu pai inventou de comprar um tal de spaguetti vegetal. Parecia um melão, do qual se tirava algo como macarrão. Quando começamos a comer e percebemos que era intragável, lá se foram três pratadas direto para o prato do Toquinho. Este comeu avidamente. Também era generoso. De uma generosidade que pode ir além da humana. Amava sua bola de tênis e morria de ciúmes dela. Mas se recebia em casa visitas caninas ou felinas menores do que ele, cedia tudo, até a bola. Oferecia tudo o que tinha para qualquer animal pequeno que aparecesse.

Mas se o Toquinho me fazia pensar na morte, era porque às vezes passava mal. Engolia tudo o que aparecia em sua frente, então era natural ter suas dores de barriga. Pois tinha. E quando isso acontecia, seu comportamento tornava-se estranho. A solidão ficava insuportável. Sabíamos quando ele não se sentia bem, porque não desgrudava de mim ou de minha irmã um minuto sequer. Seguia-nos pelo apartamento inteiro. Se entrávamos em um cômodo e fechávamos a porta, ele a arranhava desesperadamente. Nada fazia, senão seguir. Seguir e ficar parado, ao nosso lado. Mas sozinho não ficava. Se íamos ao banheiro, lá vinha o Toquinho atrás a nos esperar. Se íamos à cozinha, também.

Eu me questionava a respeito do comportamento do Toquinho, e o pensamento que me ocorria era que, ao passar mal, ele tinha o sentimento instintivo de que poderia morrer. E a última coisa que ele procurava em vida era aquilo: companhia. Simples assim. Verdadeiro assim. Queria estar ao lado de alguém que amava, alguém cuja presença trouxesse um pouco de conforto.

Então ele ficou muito doente. Já era bem velho e havia superado tantas coisas. Dessa vez sentíamos que era pra valer. Teve sucessivas crises, estava fraco. Eu já estava longe, não acompanhei esse período. Mas sei que ele foi internado em uma clínica veterinária. Recebia visitas diárias de minha irmã. Ele na clínica, já por morrer. Um dia minha irmã chegou para visitá-lo. Foi informada pelo veterinário de que ele estava praticamente morto, estava já inconsciente, mas por alguma força seu coração insistia em bater. Minha irmã foi até ele, pegou seu estetoscópio e escutou seu coração batendo. Cada vez mais fraco. Até parar. Esperou ela chegar para parar de bater.

Também teve o passarinho. Minha irmã apareceu em casa com ele dentro de uma caixinha. Se eu lhe pedia para ver o passarinho, ela emendava: “O nome dele é Pardal Bebê”. Como se Pardal Bebê fosse mais nome do que Passarinho. Ela recomendou que eu abrisse a mão, para senti-lo. Tive medo. Nunca tivera algo tão frágil e vivo dentro de minhas mãos. Mas abri. Ele veio de leve e se aconchegou. Cativou-me imediatamente. Não queria ficar na caixinha, deitado no chumaço de algodão que era sua cama improvisada. Queria ficar na mão. Então passei o resto do dia com uma vida, literalmente, em minhas mãos. Estudava virando as páginas com a direita e segurando-o com a esquerda. Dava-lhe mamão e água. E se tentava devolvê-lo à caixinha, ele piava até eu pegá-lo de volta.

No dia seguinte, foi igual. Mas à tarde, quando todos já tinham saído, tive que sair, eu também, para trabalhar. Coisa rápida. Dar uma aula de uma hora e meia e voltar. Deixei o passarinho em sua caixinha, com água e mamão, e fui, com saudades daquele que já estava se tornando um pedacinho de mim, tão grudado estava no meu corpo. Quando voltei, fui direto à caixa do passarinho. Ele estava estabanado, caído. Não conseguia se manter em pé. Coloquei-o na mão. Ele desequilibrava-se. Dei-lhe água e mamão. Ele bebeu e comeu. Depois foi ficando quietinho, quietinho. Morreu ali, em minha mão. Ainda passei vários minutos chamando-o, pedindo-lhe para acordar. Não sabia o que fazer com um passarinho morto na mão. Mas foi assim, como o Toquinho. Não morreu só. Esperou-me voltar para, enfim, deixar-se descansar.

Desconfio que nós, humanos, também tenhamos essa necessidade: morrer ao lado de quem se ama. E, se não queremos morrer sós, é porque também não queremos viver sós. No último minuto de nossas vidas, aquele em que somos mais livres, só podemos desejar o que há de mais verdadeiro, mais significativo. E, se estar ao lado de quem se ama é o mais importante na hora da morte, é porque é também o mais importante da vida.

Essa é a lição que aprendi com meus amigos Toquinho e Passarinho. E sei que, como eles, vou querer estar ao lado daqueles que amo no último minuto da minha vida. Mais: vou querê-los ao meu lado durante todo o percurso, desde agora, desde sempre. Também são lições que aprendi com a morte. Porque a morte nos ensina muito sobre a vida.

Entre meus venenos

O meu veneno

Sei que minha maior força é minha extrema fragilidade
Um modo que tenho de me abalar com todos os ventos
De cada vez sofrer e morrer com a mesma intensidade
E não criar espinhos ao passar pelos tormentos.

Assim sou defendida por exércitos, conquisto multidões
Desmoralizo os oponentes quando exercito as paixões.
Tanto mais me imponho à medida que me exponho,
Que o meu sonho é o que mantém minhas ações.

Também sei que minha maior mentira é minha imensa sinceridade
Essa ingenuidade com que me debruço sobre todas as coisas
E que na pele e no rosto e nos olhos explode emoções:
Eu trajo esse grande disfarce, que é minha verdade.

Minha doçura é meu veneno involuntário
É o que confunde qualquer adversário
Porém ser mulher e delicada não é escolha, é minha condição
E se tão facilmente me desfaço, se sou tão quebrável,
É que é o espaço em que me sinto confortável, não uma opção.

Encontro-me neste terreno, nele me decubro
E faço do meu corpo, este corpo magro e pequeno,
Meu maior escudo.


Este poema eu escrevi alguns anos atrás. É querido, pois foi o primeiro poema que já tive premiado. E conseguia me descrever, da cabeça aos pés. Agora vejo o quanto mudei. O quanto perdi a coragem de expor minhas fraquezas. O quanto me tornei dura. Mas, se antes ser frágil era minha força, agora minha dureza é minha maior fragilidade. E vejo que quanto mais aparento ser forte, mais vulnerável me torno. Um dia ainda escrevo outro poema sobre isso...

Quando digo que até "sorte do dia" do orkut funciona comigo...

Pois a minha sorte do dia era: "Você vai ganhar roupas novas".

Roupa de banho não deixa de ser roupa, né?

E pantufa também pode ser considerada como roupa, né?

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Luz, câmera, ação!

Minha primeira cena desde o recomeço das filmagens. Fiquei feliz por encontrar o pessoal de São Paulo: David, Elisa, Thomas, Bob Pai e Bob Mãe. A van veio me buscar às nove da manhã e só me despachou de volta às nove da noite. Minha cena foi rápida, mas fiquei acompanhando as outras do dia. Não consigo vestir a camisola do figurino sem um desejo irresistível de sair saltitando. É muito confortável e quentinha! A Elisa teve que pegar fogo no braço. Colocaram não-sei-o-quê de amianto e um gel, aí ela colocou o braço no fogo de verdade!

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Eu estava neste lugar horroroso...


... mas agora voltei!
Mais pra frente conto como foi horrível esse período de férias auto-declaradas e em péssima companhia...