Enfim, virei o ano em Copacabana. Vi os fogos, entrei na água, levei flores para Iemanjá. A Marina está aqui comigo e não ficamos um segungo paradas. Mas o mais legal é me divertir com as pérolas que ela solta:
"O que estraga o Rio de Janeiro são os cariocas"
" Não se deve matar sapos. É falta de educação"
segunda-feira, 31 de dezembro de 2007
sábado, 29 de dezembro de 2007
Mais sobre 2007
Fui juntar os brinquedinhos de Kinder Ovo e McLanche Feliz para levar para o meu pai, em Goiânia, e percebi outra coisa sobre 2007: comi muuuita besteira!!
sexta-feira, 28 de dezembro de 2007
Um ano pra recordar
Fazendo um balanço, eu diria que valeu. Cada minuto, cada segundo, valeu tudo. Ora surpreendentemente alegre, ora insuportavelmente dolorido. Assim foi meu ano. Neste ano experimentei como nunca a solidão. Comecei minha vida aqui no Rio sem a Erika, que me fez companhia durante todo o ano passado. Não peguei aulas, pois encerrei meus créditos do mestrado. Descobri que dividir alegrias é mais difícil que dividir tristezas. Muitas vezes minhas alegrias ficavam menores, por não ter quem vibrar por mim. E também não tive com quem dividir fraquezas, pois não conseguia aceitá-las. Quanto mais eu tentava aparentar dureza, mais elas me consumiam.
Perdi minha avó paterna. Não preciso explicar a dimensão dessa perda.
Estive como nunca em São Paulo no segundo semestre. Passar mais tempo com minha família e me aproximar dos meus primos grandes e pequenos foi impagável. Tomar chazinho e comer a deliciosa comida da minha tia acompanhada das infinitas conversas também. Morar fora de casa me fez sentir muito mais falta de alguma presença familiar por perto.
Fiz um teste no dia do meu aniversário e consegui o papel no filme "Um amor do outro lado do mundo". Fiz uma viagem inesquecível à China. Fiquei maravilhada em ver paisagens surpreendentes, hábitos tão diferentes e encontrar muito de mim por ali. No fim do ano continuamos as filmagens no Rio e me desafiei, me entreguei e me consumi.
Pela primeira vez na vida, fiz exercício físico com algum entusiasmo. Passei a caminhar no Maracanã com a Luana e a Euri e eventualmente algumas presenças esporádicas, como a Suzana, a Iasmine e a Raquel. Tomamos água de coco como se encontráramos um oásis.
Ganhei alguns sobrinhos. A Nina, da Tati, o Pedro Vinícius, da Maíra, e o Apolo, da Geórgia, ainda por vir. Vibrei por todos. Fui madrinha de casamento da Georgia e do Leo. Fiquei feliz ao ver minha prima Taís com um novo amor. Constatei que realmente "verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo com longas distâncias", com a Júlia, Maria Cristina e todos os outros.
Perdi minha bolsa de mestrado. Tracei planos para o próximo ano, animei-me com novas perspectivas.
Amanhã busco a Marina na rodoviária para passarmos o Reveillon juntas e também gravo comercial para o Banco do Brasil. Pelo que tudo indica, o ano se encerra perfeito, fazendo tudo valer. E ano que vem ainda será melhor.
quinta-feira, 27 de dezembro de 2007
Peguei o ônibus para São Paulo e dormi quase o trajeto inteiro, pois havia passado a noite em claro. Nos breves momentos em que abria os olhos, via uma garotinha me espiando entre as poltronas. Ela sorria para mim, eu retribuía o sorriso e adormecia novamente.
Quando estávamos próximas de chegar, ela foi se aproximando e puxando assunto. Seu nome era Jéssica, tinha 9 anos de idade e estava viajando com a mãe e dois irmãos, para passar o Natal com a família, em São Paulo. Havia nascido lá, mas já morara na Bahia, no Recife e no Rio. Seu sotaque era "todo misturado", nas palavras dela mesma.
A garota me contou que todo ano pedia ao Papai Noel uma boneca e que já tinha o quarto cheio delas. E confessou que se chateava quando a mãe doava alguma de suas bonecas antigas. Então a mãe, entrando na conversa, explicou que a boneca em questão já não tinha um olho e um braço. "O olho e o braço eu mesma arranquei, mas outra menina comeu a mão e um pé", a garota me explicou. Um casal de senhores começou a rir e comentou que aquilo era antropofagia e que a situação da boneca era realmente trágica.
- Eu tenho um beliche. Eu durmo no andar de baixo e minhas bonecas ocupam todo o andar de cima. Elas falam o tempo inteiro. Eu nem consigo dormir, pois elas não param de falar. Eu mesma já não falo pouco...
- Ah, aí você fica conversando com elas durante a noite? - eu ri.
- Não, elas nem me deixam falar. Elas conversam muito.
A conversa ia por esse caminho, até ela começar a falar do pai:
- Lembra que no início da viagem eu estava chorando?
Eu não lembrava.
- Eu chorei porque ele não pôde viajar com a gente.
Nesse momento me ocorreu um flashback. Eu não lembrava de vê-la chorando, mas me lembrei de ouvir uma voz (sua mãe) dizendo-lhe que ainda poderia desistir da viagem e ficar com o pai. Perguntei:
- Por que ele não pôde vir? Está trabalhando?
- Não. O problema é esse. Ele está sem trabalho. Então ele comprou as nossas passagens e não deu pra comprar a dele.
Então olhei para aquela garotinha e pensei que tudo que posso desejar para o próximo ano é que ela e outras Jéssicas possam passar o Natal com toda a família.
Quando estávamos próximas de chegar, ela foi se aproximando e puxando assunto. Seu nome era Jéssica, tinha 9 anos de idade e estava viajando com a mãe e dois irmãos, para passar o Natal com a família, em São Paulo. Havia nascido lá, mas já morara na Bahia, no Recife e no Rio. Seu sotaque era "todo misturado", nas palavras dela mesma.
A garota me contou que todo ano pedia ao Papai Noel uma boneca e que já tinha o quarto cheio delas. E confessou que se chateava quando a mãe doava alguma de suas bonecas antigas. Então a mãe, entrando na conversa, explicou que a boneca em questão já não tinha um olho e um braço. "O olho e o braço eu mesma arranquei, mas outra menina comeu a mão e um pé", a garota me explicou. Um casal de senhores começou a rir e comentou que aquilo era antropofagia e que a situação da boneca era realmente trágica.
- Eu tenho um beliche. Eu durmo no andar de baixo e minhas bonecas ocupam todo o andar de cima. Elas falam o tempo inteiro. Eu nem consigo dormir, pois elas não param de falar. Eu mesma já não falo pouco...
- Ah, aí você fica conversando com elas durante a noite? - eu ri.
- Não, elas nem me deixam falar. Elas conversam muito.
A conversa ia por esse caminho, até ela começar a falar do pai:
- Lembra que no início da viagem eu estava chorando?
Eu não lembrava.
- Eu chorei porque ele não pôde viajar com a gente.
Nesse momento me ocorreu um flashback. Eu não lembrava de vê-la chorando, mas me lembrei de ouvir uma voz (sua mãe) dizendo-lhe que ainda poderia desistir da viagem e ficar com o pai. Perguntei:
- Por que ele não pôde vir? Está trabalhando?
- Não. O problema é esse. Ele está sem trabalho. Então ele comprou as nossas passagens e não deu pra comprar a dele.
Então olhei para aquela garotinha e pensei que tudo que posso desejar para o próximo ano é que ela e outras Jéssicas possam passar o Natal com toda a família.
sábado, 22 de dezembro de 2007
Diálogo comigo mesma
Quando prestei atenção na conversa que estava tendo comigo mesma, achei graça e decidi registrar:
- Hum, vou comer um chocolate.
- Agora vou pegar outro chocolate.
- Vou pegar outro.
- Pra quê? Você nem está com tanta vontade assim.
- Só mais esse.
- Então esse é o último. Estou desconfiada de que você não pára de comer só pra não ter que escovar os dentes!
- Hum, vou comer um chocolate.
- Agora vou pegar outro chocolate.
- Vou pegar outro.
- Pra quê? Você nem está com tanta vontade assim.
- Só mais esse.
- Então esse é o último. Estou desconfiada de que você não pára de comer só pra não ter que escovar os dentes!
sábado, 15 de dezembro de 2007
Por que sou assim...
Não lembro que idade tínhamos, mas éramos crianças, eu e minha irmã. Um dia meu pai nos chamou. Fomos à sala ouvir o que ele queria dizer. Tinha uma novidade. E contou: Havia ensinado o armário (onde as guloseimas eram guardadas) a entender chinês. Se quiséssemos que ele se abrisse, tínhamos que pedir em chinês, caso contrário ele permaneceria fechado. Fizemos o teste. Tentamos puxar a porta do armário, mas ela não se abria. Então meu pai nos orientou a falar em chinês com o armário. Assim fizemos. Novamente puxamos sua porta, que foi guiada facilmente por nossas mãos. Era algo surpreendente: meu pai ensinara o armário a entender chinês!
É claro que, mesmo sendo crianças, percebemos que aquela história estava muito malcontada. Como assim, falar em chinês com um armário? Então fiquei observando o meu pai até perceber o truque que ele utilizava e desbancá-lo de vez. Não, não vou contar o truque. Vou deixá-los curiosos. Além do mais, quem sabe um dia eu não precise usá-lo com meus filhos?
Enfim, o ponto a que quero chegar é: E meu pai ainda tinha a esperança de ter filhas normais??!!!
É claro que, mesmo sendo crianças, percebemos que aquela história estava muito malcontada. Como assim, falar em chinês com um armário? Então fiquei observando o meu pai até perceber o truque que ele utilizava e desbancá-lo de vez. Não, não vou contar o truque. Vou deixá-los curiosos. Além do mais, quem sabe um dia eu não precise usá-lo com meus filhos?
Enfim, o ponto a que quero chegar é: E meu pai ainda tinha a esperança de ter filhas normais??!!!
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Um dia de cão

Sabe aqueles dias em que não dá vontade de levantar da cama? Pois hoje foi um desses. Depois de uma noite maldormida, ou quase não dormida, levantei apenas porque tinha que tocar o dia e desta vez teria que ir ao seminário, pois tinha que apresentar trabalho. Acabei de ler o livro que ganhei da Luana, preparei meu almoço e, apesar da vontade de ficar em casa, lá fui eu para a Uerj. Chegando lá, não encontrava o lugar onde o seminário estava sendo realizado. Andei de um lado pro outro no décimo andar e não via ninguém. Sentei e fiquei esperando. Nessa hora lembrei do que sempre aconselho a todos, que sei que é verdade, mas quem mandou ser teimosa e não cumprir... É o seguinte: se você tem vontade de fazer algo legal, mas tem que deixá-lo de lado pra cumprir uma tarefa, faça o algo legal, porque se fizer a outra opção, dará errado. Se você quer sair com os amigos, mas deixa de fazê-lo pra ir à aula, o professor cancela a aula. Se você deixa de descansar pra ir ao banco, o banco fecha. Batata. Pois bem. Saí de casa sem vontade pra ir à faculdade, quem mandou?
Enfim, meia hora depois, descubro que o seminário está sendo realizado no oitavo andar. Entro, encontro os colegas, começo a bater papo. Aí recebo a notícia: não temos mais bolsa. Como assim? Assim. A bolsa da Faperj encerrava em outubro, o que significa que a última foi-me depositada em novembro. E eu que já havia me endividado toda com os presentes de Natal... Paciência. Eu já esperava que a partir de abril eu teria que ter uma perspectiva para me virar sem bolsa. Mas era uma preocupação para depois do mestrado. Não agora. Não assim de surpresa. Vou conferir meu saldo: negativo. Quanto? Muito. O que seria coberto com a bolsa, não será mais.
Mas a vida continua e dinheiro é um dos motivos pelos quais menos vale a pena chorar. Pra sobreviver este mês, esvazio a poupança. Para sobreviver no próximo, gasto a grana que iria entrar pra poupança e agora vai direto pro supermercado, pro dia-a-dia. A viagem pra Europa (amigas, sinto muito) provavelmente não será no próximo ano. Mas que o próximo ano abra caminhos, dê oportunidades. Acho que é um dos meus primeiros dias encarando a vida como adulta.
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