sábado, 13 de fevereiro de 2010

Vamos fugir...

Um lugar onde o ar é mais fresco e a água mais azul. Onde se mergulhe de olhos abertos e se veja peixinhos coloridos e tartarugas marinhas. Um lugar onde se coma peixes e ostras frescas. Um lugar com ruas de pedra e pessoas que desaceleraram o mundo para fazer da vida uma coisa bonita. Eu poderia viver essa vida.


Voltei ao Rio de mal com a cidade, chateada com o ar abafado, com o barulho do trânsito, com o taxista mal humorado. E estou desde então tentando fazer as pazes com este lugar, minha paixão dos últimos anos, agora acinzentada aos meus olhos. Fui dar uma volta de bicicleta na lagoa e, assim, em movimento, a cidade é mais agradável. É o primeiro Carnaval que passo no Rio e estou tentando aproveitar. Ontem fui ao meu primeiro bloco, está certo que cheguei quando ele já tinha terminado, mas ainda assim constatei que realmente não sou pessoa de multidões. Só pra constar, até entortei o
dedo de um garoto que encostou em mim. E me diverti muito mais andando do Leblon a Copacabana, em busca de outro bloco, jogando conversa fora com os amigos.


De qualquer jeito, hoje saio fantasiada, tentando descobrir o prazer desse outro lado, que me é estranho.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

"É bom olhar pra trás..."

"... e admirar a vida que soubemos fazer..."



O meu amigo Eduardo Sartorato propôs o seguinte joguinho: relembrar o que você fazia em um passado próximo e em um passado nem tão próximo assim. Peguei as agendas antigas que estavam guardadas no armário e resolvi entrar no jogo. Descobri que o blog, mais que as agendas, ajudam a recordar o que se passava em minha vida a cada época. Infelizmente é um registro recente. Enfim, vamos ao jogo:

1 semana atrás (janeiro de 2010): Ipanema, almoço no Delírio Tropical, praia com livro da série "Encontros", sobre a Nise da Silveira e, em seguida, chegada da Carol. Mar brabo, chuveirada, volta no metrô concentrada no livro. Chuva à noite, eu deslumbrada com Nise da Silveira, sobre a qual continuei devorando os livros que tenho durante o resto da semana.

1 mês atrás (dezembro de 2009): Montagem de final de semestre, com a peça "Anjo Negro", de Nelson Rodrigues, que apresentamos durante quatro dias. Ao fim de tudo, descanso do desgaste físico e emocional. Férias merecidas ao lado dos amigos. Árvore de Natal com doces na parede, Natal com família carioca, pintura em portas dos outros, Terra Encantada, praia, comidinha de mães substitutas e Ano Novo em São Carlos, com reunião familiar.

6 meses atrás (julho de 2009): Passei uma semana de férias em Goiânia, o apartamento já quase desmontado por causa da mudança para a casa nova. Clube da Luluzinha, comidinhas, pamonha. Sempre estranho voltar para a cidade onde passei grande parte da minha vida.

1 ano atrás (janeiro de 2009): Visita dos meus amigos Nel, Júlia e Fernando. Nel veio, por minha sugestão, fazer o mergulho teatral na CAL e resolveu ficar. Primeiro amigo que consegui trazer para o Rio, depois de anos tentando convencer meus amigos a morarem aqui. Mudança definitiva para o apartamento das meninas, casa com caixas espalhadas pela sala. Período confuso, mas que deu início às melhores coisas que conquistei nesta cidade: laços e liberdade.

2 anos e meio atrás (julho de 2007): Comecei o mês na China, onde fui participar das filmagens de "Destino". Viagem incrível, com paisagens deslumbrantes, comidas maravilhosas e esse sentido especial que o país tem em minha vida, de remontar minhas origens. Volta ao Brasil e em seguida ida a Goiânia, animada para mostrar as fotos, contar os fatos, distribuir os presentes. Nesta época ainda estava no mestrado em Comunicação, na UERJ, que defendi em maio do ano seguinte.

5 anos atrás (janeiro de 2005): Ainda morava em Goiânia, cursava meu último ano de faculdade e dava aulas de Inglês na Hoffmann House. Planejava o mestrado e, a essa altura, a vida universitária já começava a me cansar, apesar de ter sido o período mais feliz da minha vida. Tinha ao meu lado pessoas super especiais, incluindo aquelas amigas que continuam próximas como se morassem na casa ao lado. A faculdade de jornalismo foi divertidíssima, com coxinhas e sucos de cupuaçu na FAV, brigas com a Mulherzinha, grupinho de estudos de filosofia, saraus, Bar Rio.

10 anos atrás (janeiro de 2000): Nessa época eu voltava do meu intercâmbio estudantil em West Virginia, nos Estados Unidos. Reencontro e readaptação. Volta ao Colégio Dinâmico, desta vez com outra turma. Ano de vestibular.

Enfim, adorei a proposta do Eduardo. Se alguém mais se dispuser a entrar no jogo, posso dizer que é muito interessante... Esses dez anos estão guardados na minha memória como um passado tão recente, olhando assim para trás de repente a gente se dá conta do quão rápida é a vida. E olhando assim eu tenho essa certeza, essa plena certeza do quanto sou feliz e de como a vida vale a pena.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Para um menino, em seu aniversário


É necessário que você permaneça sendo o que é: um menino. Que talvez tenha crescido demais. Que talvez até tenha feito anos demais. Mas que o tamanho e a idade não te iludam: que você seja esse menino que ri alto e que brinca de ver o mundo de um jeito bonito. Que você nunca persiga cegamente falsas vitórias, alegrias ilusórias. Que suas buscas tenham a pureza do garoto descalço que corre atrás da bola.


É estritamente necessário que você seja menino. Para isso é preciso ter talento para infância, ter olhos curiosos para perceber que o mundo é sempre novo, ter mãos ágeis para fazer música e pintar árvores na parede, ter lábios grossos para fazer bico e conseguir todas as suas vontades. Tem que ter vocação para reinventar sentidos cotidianamente, inventar definições engraçadas para palavras desconhecidas e conseguir convencer de que a sua é a definição do dicionário.


É preciso que seja menino. Que ao ganhar mais um ano, você perca um pouco de juízo. É preciso que saiba fazer caretas, imitar vozes, pular como macaco e rosnar como leão. É necessário que às vezes você tenha a capacidade de jogar tudo para o alto, de se dedicar uma semana inteira à mais pura vadiação. De vez em quando é preciso que você deixe o cabelo desgrenhado, que você use uma camiseta rasgada ou verde-água, para camuflar na parede. Mas que a soma dos anos não camufle sua verdadeira idade: um menino.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Regresso


Desta vez foram suaves os dias que passei em Goiânia. Pela primeira vez em quatro anos não tive tanta certeza de que não voltaria a morar nessa cidade. Um lugar de aconchego onde tenho pai e mãe, comidinha familiar, espaço para ler meus livros e pensar na vida. Fizemos nossa tradicional festa de Natal dos Amigos, Clube da Luluzinha, rodízio no japonês. Matei a saudade de Pirenópolis, junto com um bom amigo. Fizemos trilha, tomamos banho de cachoeira e batemos longos papos. Comi arroz com pequi e pamonha. Recebi a visita de um grande amigo carioca-santista, o Luís Renato, que trouxe o Diego de bônus. E, por incrível que pareça, voltei ao Rio contrariada. Queria ter ficado mais tempo, desta vez. Felizmente a chateação passou tão logo encontrei alguém que me esperava com saudades, nesta tão quente cidade...

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Um tapete

Há alguns anos resolvi tecer um tapete. Seria um presente de Natal para uma pessoa querida. Comprei os materiais, criei o padrão e escolhi o tipo de bordado. Um tapete grande e personalizado, que ficasse no chão do quarto. Para que ele pisasse leve. Para que seu mundo fosse macio, eu o teceria. Seria assim meu presente: feito de lã, sonhos, dedicação. Aquele espaço que eu queria construir: onde ele se deitasse e repousasse suas preocupações, uma a uma. Onde ele pudesse pisar com segurança, sem medo dos percalços que se espalham por outros caminhos.


Comecei a tarefa um mês antes do Natal. Passava horas trancada, tecendo, tecendo. Todo aquele tempo que eu gastava em meu empenho se concretizava em apenas um pedacinho a mais de tapete. Percebi que a tarefa era grande e o tempo, pouco. Tinha crises de alergia por conta dos fiozinhos que voavam da lã. Mas persistia na tarefa, correndo contra o tempo. E de repente me dei conta de que não terminaria o presente a tempo de entregá-lo no Natal. O dia chegou e o tapete estava pela metade. Ofereci-o mesmo assim, como uma promessa. Entreguei o tapete inacabado, prometendo que em breve ele estaria pronto, estendido no chão para amaciar seu caminho.

Mas sonhos e dedicação são coisas incertas, não podem ser prometidos. Com o tempo fui desanimando, cansando da tarefa repetitiva e das crises de alergia decorrentes. E a rotina de entregar meu suor, de dedicar minhas horas livres para que essa outra pessoa pisasse leve tornou-se sufocante. Um dia enfim desisti. O tapete permanece inacabado em um fundo do armário - nunca tive coragem de jogá-lo fora. E a pessoa em questão... espero que seus caminhos sejam sempre macios...

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Adeus ano velho...

Ano de achados e perdidos, de redefinições, reconstruções. Dois mil e nove foi um ano definitivamente atípico em minha vida. Comecei o ano com a vida virada de cabeça pra baixo e com a sala de casa cheia de tralhas, sem saber onde enfiar cada objeto e como guardar cada sentimento. À medida que fui organizando e escolhendo um lugar para cada coisa, também encontrei coisas minhas que eu não imaginava que existiam. Uma saudade antiga, uma loucura, uma força. Tive a liberdade dos que pouco têm o que perder. Tive uma necessidade imensa de buscar algo substancial que me era desconhecido. E nesse aspecto o teatro me salvou, permitindo que eu me jogasse, experimentasse, desafiasse. Pessoas saíram definitivamente de minha vida. Pessoas entraram. Pessoas retornaram. Pessoas passaram. E o que marcou meu ano foi isso: pessoas. Essas que já faziam parte da minha rotina, mas que agora entraram irreversivelmente. Essas que apareceram como boas surpresas. Essas que permaneceram tão profundamente ligadas mesmo à distância. Todas essas, que estarão comigo em 2010, 2011, 2020,...

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Então é Natal...


Cada um de uma cidade diferente, reunidos para celebrar como se fôssemos uma família. E somos. Teve quem engasgasse de dar risada e comentasse que nunca viu um Tender andando por aí. Teve quem fosse vítima, verde e morasse na floresta. Teve quem usasse chapéu de Papai Noel. Teve quem aparecesse antes tarde do que nunca para dar um abraço necessário. Teve quem lambesse todo mundo e não gostasse de carinho com o pé. Teve quem nos adotasse e brincasse conosco porque é Natal, não um dia qualquer. Teve tentativa de acordar os últimos dorminhocos resultando em todo mundo dormindo na mesma cama. Teve praia. Teve foto com Papai Noel gigante do supermercado. Natal tem esse gosto de felicidade...