sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Retomando...


Agora que finalmente tirei um tempinho para meu blog, vou falar das coisas que fiz nos últimos dias. No sábado eu escrevi que iria para a praia no dia seguinte. Pois bem, fomos. O dia amanheceu nublado e chuvoso. Mas, como decidi que queria ir a Grumari e pronto, lá fomos nós. Não preciso dizer que éramos as únicas almas vivas do local. Durante o caminho inteiro eu tive esperança de que "mais pra lá da estrada" estaria um lindo dia aberto. Não estava. O que fazer? Tiramos fotos "cult", fotos correndo, fotos pulando, balançando o cabelo, subindo na casinha. Voltamos para casa, jogamos War e mais tarde fomos ao teatro. Na manhã seguinte a Marina foi embora. E adivinha? Abriu um lindo dia ensolarado!
A outra novidade da semana foi o início das aulas na CAL. Adorei! Tive aula de corpo, de interpretação, de voz, de canto e de história do teatro. Gostei muito de todas as professoras, e a turma também parece ser bem bacana.
Ah, a Júlia defendeu ontem o mestrado dela! Como eu já previa, a defesa foi um sucesso. Pena eu não poder estar lá para assistir...

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Semana de aulas

Esta semana começaram minhas aulas na CAL. Estou amando!!!! As professoras são ótimas e estou bem empolgada.

sábado, 9 de agosto de 2008

Passeios

Esta semana tem sido meio corrida, com a presença da Marina aqui no Rio. Estamos aproveitando como podemos para passearmos. Fomos visitar as igrejas, Santa Teresa, o Jardim Botânico, a Ilha Fiscal, etc. Descobrimos restaurantes maravilhosos e também comemos naqueles fast-foods básicos que amamos: KFC e Outback, este último com as meninas do pensionato, um clássico entre nós. Hoje fomos com ela ao congresso de veterinária e ficamos encantadas com os gatos lindos em exposição. Depois fomos ao concerto de violoncelo. Amanhã vamos à praia e, de acordo com a Ingrid, temos que colocar sal na janela para atrair o sol, que nessa semana ainda não apareceu.

sábado, 2 de agosto de 2008

Museu de Imagens do Inconsciente

Ontem planejamos ir de manhãzinha ao Museu de Imagens do Inconsciente, laaaaaaaaá no Engenho de Dentro. Confesso: não conseguimos acordar. Então, só depois do almoço lá fomos nós, Rio de Janeiro afora procurar o tal museu. Eu com um monte de mapas na mão. Não ajudei muito. Por duas vezes passamos nas ruas do museu e eu, sem saber, não conseguia nem encontrá-las no mapa. Depois de algumas voltas, chegamos.

Desde que me mudei para o Rio, morro de vontade de conhecer o lugar. Na verdade meu interesse pela Nise da Silveira vem desde o início da década de 90, quando li uma entrevista dela na Marie Claire. Pra quem não sabe, a Nise foi uma das psiquiatras que encabeçaram o movimento anti-psiquiatria no Brasil. Inconformada com os métodos tradicionais dos hospitais psiquiátricos, como os choques e a lobotomia, Nise se voltou para um tratamento através de um olhar mais humano, das artes, do contato com animais de estimação. Era através de expressões artísticas que os esquizofrêncios estabeleciam relações entre o mundo externo e aquele outro, interno.

As obras pintadas pelos internos são impressionantes, tanto como manifestações estéticas, como por conter intrigantes questões não só para a psiquiatria, mas para tudo aquilo que tange o ser humano. Seguidora de Jung, Nise aponta relações entre as telas pintadas pelos pacientes, suas histórias pessoais e mitos com que esses artistas nunca tiveram contato, mas retratavam fielmente. Adelina Gomes era uma das internas do hospital, cuja obra é hoje amplamente reconhecida e estudada. Sua mãe era extremamente controladora, e Adelina acabava abrindo mão de seus desejos para satisfazer aos maternos. Certa vez, apaixonou-se por um rapaz, mas a mãe proibiu o namoro. Adelina acabou cedendo, mas foi ficando triste, calada. Um dia, em um surto, estrangulou o próprio gato. Foi internada no mesmo dia. Um tema comum na pintura de Adelina é a mulher transmutada em flor. Inúmeras telas com mulheres-flores foram pintadas por ela. Adelina não conhecia o mito de Dafne, segundo o qual a ninfa, fugindo do amor de Apolo, acaba por ser transformada em um loureiro. São inúmeros os exemplos semelhantes, em que artistas retratam mitos análogos à própria história, sem ao menos terem conhecimento deles. Nise se apóia em Jung para explicar as "coincidências" com os arquétipos coletivos.

Não bastasse a visita ao museu ser uma experiência única, ainda fomos privilegiados, ao nos abrirem portas usualmente fechadas aos outros visitantes. Entramos em salas e salas que continham o acervo guardado do museu. Um acervo imenso, que merece atenção e estudo. Porém é preciso ressaltar que muitas das obras ali não podem ser vistas apenas como material terapêutico, ou "arte de loucos". São materiais reconhecidamente denominados obra de arte. Emydgio de Barros, um dos internos e artistas, por exemplo, foi chamado por Ferreira Gullar de gênio. Ainda por cima encontrei o livro que eu procurava há tempos, "Imagens do Inconsciente", já esgotado. Está certo, o exemplar-raridade que estava lá no museu à minha espera está em francês. Parte da pequena edição que fizeram na exposição da França. Tudo bem, além de ler sobre esse assunto interessantíssimo, ainda pratico meu francês, já bem enferrujadinho, por sinal.

terça-feira, 29 de julho de 2008

A delicadeza dos motoristas de caminhão

Não sei por que estou falando disso logo hoje. Mas anos atrás, ao fazer uma viagem de carro, comecei a observar a dinâmica das estradas. O assunto me era totalmente estranho, já que costumo ser desligada quanto a esse tipo de questão. Só descobri que existe seta, luz baixa, luz alta e pisca-alerta, por exemplo, nas aulas de auto-escola. Enfim, ao observar o comportamento dos motoristas, descobri algo que me surpreendeu: os motoristas, principalmente os caminhoneiros, têm uma forma de comunicar e cooperar entre si. Eles dão seta para avisar que o outro carro pode ultrapassá-lo, para comunicar que a ultrapassagem é inviável, mudam de pista para auxiliar o outro veículo. Fiquei maravilhada com a descoberta. Em um mundo em que atributos como gentileza e delicadeza fazem tanta falta, é encantador encontrá-los onde menos se espera.

sexta-feira, 25 de julho de 2008

O fazer coisinhas


Fazer coisinhas é uma arte. Não é exatamente fazer tricô, nem découpage, nem scrapbook. É a vontade de fazer tudo isso e depositar um carinho em cada objeto feito. A minha história com coisinhas vem de longa data. Desde que eu me entendo por gente, quando tentava reproduzir as instruções do livro "Fazendo e brincando", da coleção "O mundo da criança". Também adorava aqueles programas de tv que ensinavam a fazer objetos de sucata. A algumas coisinhas eu resisti durante bom tempo, por puro preconceito. Na adolescência, via as mães fazerem tapetes enquanto esperavam os filhos na natação. Morria de vontade de fazer. Mas essa atividade, assim como tricô, crochê e bordado, eram vistas por mim como coisas de dona-de-casa. Anos depois aprendi a fazer tricô com minha avó. Fiz um cachecol, dei de presente e nunca mais toquei naquelas agulhas.
Também já tive a minha fase de ponto-cruz, de móbiles de origami, de tentar aprender macramê e de começar um tapete. Inventei de fazer um tapete gigante, mas ele era quase infinito. Não importava o quanto eu bordava, sempre faltava um pedaço imenso. Ainda por cima, soltava tantos fiapos, que tornava a atividade impossível, por causa da minha alergia.
Na faculdade, conheci a Júlia, que também tivera uma infância com "O mundo da criança". Juntas, fizemos curso de crochê em barbante, para aprendermos a fazer aquelas bolsas de bicho-grilo e morríamos de rir da aula, cheia de velhinhas, cujo assunto eram as próprias avós. Também nos divertíamos quando recebíamos recado em casa: "Sua professora de crochê ligou convidando para a festinha da turma". Também pintávamos quadros, fazíamos scrapbook e tivemos uma oficina de caixinhas. Passávamos noites pintando e colando guardanapos em caixinhas, fazendo porta-cartas, porta-ovos, porta-lápis. Enfim, não faltava com o que portar as coisas. Tivemos momentos memoráveis, como o diálogo com o Marcelo, quando o convidamos pra fazer origami com a gente:
Marcelo: Podem fazer, vou ficar só olhando.
Lian: Você não gosta de fazer coisinhas?
Marcelo: Não.
Lian: Nenhum tipo de coisinha?
Marcelo: Não.
Lian: Ué, mas você pinta!
Marcelo: É.
Lian: Então você faz coisinha!
Marcelo: Ah, tá. Eu não sabia o que "coisinhas" abrangia!
Depois me prometi fazer uma bolsa de patchwork quando entrasse no mestrado. Entrei, saí, e a bolsa, nada. Aqui no Rio, ficava horas fazendo scrapbook com a Érika. O resultado são álbuns e álbuns. Um mais geral, outro com detalhes, outro de viagem, um de receitas... E também fazíamos filminhos.
Enfim, minhas últimas coisinhas são o cachecol e a faixinha de cabelo da foto, feitos com tear de prego, e uma touca de cabelo, de crochê.

terça-feira, 22 de julho de 2008

Sampa


Foi bom passar uns dias em casa, mesmo que, tecnicamente, São Paulo nunca tenha sido minha casa. Ainda assim a casa da Tia Stella tem aquele gostinho de lar, com bate-papo até de madrugada, chazinho, comida chinesa. Consegui reencontrar meus pais, tios e primos. Aprendi a fazer tricô com tear de prego, crochê e bolo de banana. Fiz um cachecol, uma faixa de cabelo e uma touca. Foram apenas cinco dias, mas o suficiente pra me fazer recordar quais as coisas mais importantes na vida.