Se eu disser que é minha primeira, primeiríssima, sombrinha, não estarei dizendo bem a verdade. Pois houve uma outra, que eu comprei em Pequim, para visitar a Cidade Proibida. Cada um de nós comprou uma sombrinha ao descer do taxi, para enfrentar a fila debaixo da chuva. Depois ela ficou para sempre abandonada no hotel.
Mas esta agora é a primeira que compro assim, sozinha, por livre e espontânea vontade. E que provavelmente me abandonará primeiro. Sempre me recusei a comprar sombrinhas e guarda-chuvas, porque eu tinha uma teoria: "Quando a chuva é fraca, não tem necessidade. Quando a chuva é forte, não adianta." Mas, descendo do metrô no outro dia, começou a chover, havia um homem vendendo sombrinhas na saída, acabei comprando. E descobri que, para chuvas médias, ela quebra um galhão. Ontem, por exemplo, resolvi colocá-la na bolsa antes de sair de casa. Quando começou a chover, fiquei contente. Pela primeira vez, eu estava prevenida.
Ah, também descobri um ótimo uso para minha sombrinha! É assim: estou andando na rua, me protegendo da chuva normalmente. Mas se algum homem fica olhando de um jeito que eu não goste, aponto a sombrinha na direção dele. Além de cobrir meu rosto, ainda dá uma guarda-chuvada na cara dele, se ele se aproximar!!
Esperta mesmo era minha irmã, que desde criancinha andava de um lado pro outro com seu guarda-chuvinha amarelo, fosse para se proteger do sol, da chuva, ou de outras crianças.